HISTÓRICO
Pólo
Graniteiro: Instalação e Desempenho
O Governo
do Estado do Ceará, ao final da década de 80
e início dos anos 90, em parceria com a Federação
das Indústrias do Ceará – FIEC, a Superintendência
de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, hoje, Agência
de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE, e o Banco do
Nordeste S/A – BNB, foram, e ainda continuam sendo,
os principais impulsionadores do desenvolvimento das indústrias
cearenses (GRANITO, 1994).
No dia 19 de abril de 1993, terminados todos os estudos e
projetos, instituía-se o Pólo Industrial de
Mármores e Granitos do Ceará, conhecido como
Pólo Graniteiro, pelo então governador Ciro
Ferreira Gomes, que destacou como metas prioritárias
de seu governo (GRANITO, 1994).
1a - Descoberta
de novos depósitos de Rochas Ornamentais;
2a - Pesquisa Mineral Geológica de detalhe;
3a - Acelerar o processo de industrialização
do Ceará;
4a - Aumentar a pauta de exportação do Estado;
5a - Geração de novos postos de trabalho, visando
aos aspectos sociais, como fixação das famílias
no interior (campo);
6a - Maior desenvolvimento do Estado.
Naquela
mesma oportunidade, a título de incentivo para as empresas
graniteiras que se instalaram no Estado, em 1993, foi assinado
o protocolo de intenções, instituindo o Fundo
de Desenvolvimento Industrial do Ceará – FDI,
e a criação oficial de um novo Sindicato para
esse setor, exclusivo para as indústrias estabelecidas
atuantes no Setor de Rochas Ornamentais do Ceará –
o Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos
do Estado do Ceará – SIMAGRAN (GRANITO, 1994).
O Pólo
gerou atividades complementares na produção
de equipamentos e insumos, além de contribuir para
aumentar a pauta de exportação do Estado do
Ceará, que, no ano de 1993, exportou US$ 2.831,483
para países como a Bélgica, Estados Unidos,
Áustria, Indonésia, Alemanha, México
e Holanda (Roberto, 1998).
O setor
graniteiro cearense, em 1994, apesar de recente, já
era destaque no cenário nacional, segundo afirma Pereira
et al (1997). Por isso, foi feito um levantamento das potencialidades
da região, realizando estudos sobre o parque industrial
do Estado: situação dos portos, rodovias, capacidade
de extração de blocos, potencial de comercialização,
mercado, mão-de-obra, etc, enfim, todos os aspectos
foram analisados. Esse estudo contou com a parceria do Banco
do Nordeste S/A – BNB, da SUDENE, hoje Agência
de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE, do DNPM, das
Secretarias de Indústrias estaduais, e por fim, com
a parceria da Federação das Indústrias
do Ceará – FIEC.
O referido
estudo teve como objetivo analisar o potencial do setor de
rochas Ornamentais do Estado do Ceará, para avaliar
quais seriam as melhores estratégias de venda no mercado,
a serem adotadas e implementadas pelas indústrias de
beneficiamento de granito, cujo propósito principal
era colocar, no mercado interno e externo, o produto já
beneficiado (chapas e ladrilhos de granito), com um valor
agregado, ou seja, o granito industrializado, ao invés
de continuar exportando o granito bruto (blocos), para ser
beneficiado fora do Estado, uma vez que o Ceará possuía
extensa variedade de rochas para fins ornamentais com grande
potencial de comercialização (PEREIRA et al,
1997).
O Pólo
de Granito do Ceará, apesar de relativamente recente,
foi concebido com o objetivo de colaborar para o desenvolvimento
das indústrias instaladas no setor de Rochas Ornamentais
do Estado, em idos de 1993.
O SIMAGRAN
(2002), informa que, hoje, estão em funcionamento 09
(nove) indústrias de extração e beneficiamento
de Rochas Ornamentais, no Estado do Ceará, juntas possuindo
uma capacidade instalada de serragem e beneficiamento de aproximadamente
1.000.000 m2/ano (um milhão/ano), e para a produção
de chapas e ladrilhos de granito e outras rochas.
Evolução
Histórica do Setor
O setor
de mineração cearense reiniciou suas atividades
após criação da CEMINAS, empresa constituída
sob a forma de Sociedade de Economia Mista, criada pela Lei
Estadual nº 10.476, de 06 de abril de 1981, vinculada
à Secretaria da Indústria e Comércio
– SIC.
Esta
sociedade tinha por objetivo suprir a deficiência da
infra-estrutura do setor, além de formular e executar
estratégias, planos, programas e projetos de pesquisa
sobre o potencial mineral do Ceará, bem como desenvolver
estudos para o mapeamento e a identificação
das riquezas minerais existentes em território cearense
(CEMINAS, 1981).
Os projetos
mais importantes e que mereceram destaque naquele período,
segundo dados do relatório da CEMINAS(1981), foram
os seguintes:
- Divulgação
dos Recursos Minerais do Estado do Ceará;
- Mapeamento Geológico;
- Incremento à arrecadação do Imposto
Único sobre Minerais no Estado do Ceará;
- Atualização da documentação
básica do setor de mineração cearense.
A CEMINAS
também firmou convênios com entidades governamentais
e privadas, ligadas ao setor de rochas ornamentais, de acordo
com o Relatório da Diretoria de 1981, cabendo enumerar
os seguintes:
1º - Banco do Nordeste do Brasil – BNB;
2º - Universidade Federal do Ceará – UFC;
Universidade de Fortaleza – UNIFOR;
3º - FIBASE – Insumo Básico S.A. Financiamento
e Participações (BNDE);
4º - Secretaria de Planejamento e coordenação
do Estado do Ceará – SEPLAN;
5º - Empresa Industrial Técnica e Companhia de
Desenvolvimento Mineral do rio Grande do Norte;
6º - Secretaria de Cultura e Desporto – SCD;
7º - Fundação Núcleo de Tecnologia
Industrial – NUTEC;
8º - Escola Técnica Federal – ETF;
9º - Departamento autônomo de Estradas de Rodagem
– DAER;
10º - Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste
– SUDENE.
Por outro
lado, a CEMINAS (1981), também se filiou a várias
associações vinculadas ao setor de mineração,
sediadas pelo país, tais como:
1a –
ABEMIN – Associação Brasileira de Entidades
Estaduais de Mineração;
2a – IBGM – Instituto Brasileiro de Gemas e Metais
Preciosos;
3a – IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração;
4a – SBG – Sociedade Brasileira de Geologia;
5a – CREA – Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura.
As primeiras
referências sobre rochas ornamentais no Estado do Ceará
são creditadas ao “Projeto Pedras Ornamentais
nas Regiões Norte-Nordeste, Leste e Oeste do Estado
do Ceará”, executado pela CEMINAS, no ano de
1982, por força de convênio firmado com o Ministério
das Minas e Energia – MME, tendo como origem o “Relatório
Técnico” do Projeto de Avaliação
Econômica do Granito do Estado do Ceará, concluído
no ano de 1989 (MELO e CCASTRO, 1989).
Convém ressaltar que a CEMINAS já não
mais existe. A denominação atual é Companhia
de Desenvolvimento do Ceará – CODECE, regulamentada
pela Lei Estadual nº 12.476, de 21 de julho de 1995,
da Companhia de Desenvolvimento Industrial e Turístico
do Ceará – CODITUR, empresa resultante da incorporação
da Companhia Cearense de Mineração – CEMINAS
e da Empresa Cearense de Turismo – EMCETUR, pela Companhia
de Desenvolvimento Industrial do Ceará – CDI-CE.
A CODECE
é uma Sociedade de economia mista estadual, criada
pela Lei nº 10.088, de 23 de maio de 1997, constituída
sob a forma de sociedade anônima, regendo-se, pelas
disposições da Lei Federal pertinente, por seu
Estatuto e pela Legislação Especial que lhe
for aplicável.
Vale acrescentar
que então Governador Senador Virgílio Távora
criou, em idos de 1982, o Fundo de Investimento Mineral –
FIM, e depois o Fundo Especial de Desenvolvimento do Ceará
– FDC, cujo objetivo principal era dar apoio financeiro
aos projetos de pequenas e médias empresas privadas
nacionais, nas áreas de pesquisa mineral e mineração,
sediadas no Estado do Ceará ou que viessem a ser implantadas,
mediante o aporte de capital de risco. (VALE, 1997a ).
Segundo
Vale (1997a), o principal incentivo oferecido pelo Governo
do Estado do Ceará estava consubstanciado no Fundo
de Desenvolvimento Industrial do Ceará – FDI,
criado pela Lei nº 10.380, de 27 de março de 1980,
e pela Lei nº11.073, de 15 de julho de 1985, nº
11.524, de 30 de dezembro de 1988 e nº12.478, de 21 de
julho de 1995, tendo como objetivo promover o desenvolvimento
das tentativas industriais em todo o território do
Estado.
O FDI
destinava-se, fundamentalmente, à formação
ou ampliação do capital de giro das empresas,
caracterizando-se como um financiamento em condições
subsidiadas – isenção de juros –
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços – ICMS, recolhido mensalmente, o que,
em termos de fluxo de caixa empresarial, implicava na redução
da alíquota efetiva do ICMS (VALE, 1997a).
Destaca-se
que a mineração pode ser considerada uma atividade
perfeitamente compatível com os períodos de
estiagem. A prática e o incentivo à mineração,
em pequena escala, constitui-se não só uma outra
oportunidade de trabalho para o rurícola, mas também,
atende a situações de emergência, através
de projetos de garimpagem que cobrem as províncias
pegmatíticas do Estado, caracterizando-se, assim, como
um trabalho que imprime valorização ao homem
do campo (GRANITO, 1993).
Nasce,
então, em dezembro de 1993, a idéia de montagem
do primeiro Plano de Ação para o Setor de Rochas
Ornamentais do Ceará, que seria enquadrado dentro das
estratégias da Secretaria de Ciência e Tecnologia
– SECITECE, e da Secretaria da Indústria e Comércio
– SIC, atualmente, Secretaria de Desenvolvimento Econômico
– SDE, objetivando o aproveitamento e a disponibilidade
de recursos e a vocação da região, para
introduzir e difundir novas tecnologias e, ainda, capacitar
recursos humanos e laboratoriais, propiciando um salto qualitativo
e quantitativo de grande valor para o setor e o Estado (GRANITO,
1994).
A partir
dos primeiros entendimentos entre o Sindicato das Indústria
de Mármores e Granitos do Estado do Ceará –
SIMAGRAN e a Secretaria da Ciência e Tecnologia do Ceará
– SECITECE, foi organizado um WorkShop, em janeiro de
1994 e, a seguir, no decorrer de três meses, foram constituídos
grupos de trabalhos sob a coordenação do Engenheiro
de Minas Francisco Wilson Hollanda Vidal, visando elaborar
o Plano de Ação (GRANITO, 1994).
Com base
nas Linhas de Ação e com a participação
do SIMAGRAN e Secretaria de Indústria e Comércio,
atualmente chamada de Secretaria se Desenvolvimento Econômico,
elaborou-se uma proposta constituída de 04 (quatro)
programas:
- Programa I (Programa de Pesquisa, Difusão e Desenvolvimento
Tecnológico);
- Programa II (Programa de Formação, Capacitação
e Desenvolvimento de Recursos Humanos no setor);
- Programa III (Programa de Consolidação da
Infra-Estrutura Laboratorial do NUTEC) e, por fim,
- Programa IV (Programa de Implantação de um
Centro de Desenvolvimento para o Setor de Rochas Ornamentais),
com seus respectivos coordenadores, entidades parceiras e
metodologias a serem adotadas (GRANITO, 1994).
A partir
de março de 1994, iniciou-se a execução
do Plano de Ação, em que no decorrer dos últimos
05 (cinco) anos, foram realizadas várias atividades
no campo dos Programas I, II e III, com bastante sucesso.
O Programa IV, cujo objetivo principal, a médio e longo
prazo, era a criação de um Centro de Rochas
Ornamentais, não evoluiu a contento, pois exigia um
tempo maior de maturação para o consenso (GRANITO,
1994).
Em decorrência
desses fatos, constatou-se a necessidade da existência,
em nível nacional, de uma Rede Brasileira de Tecnologia
e Qualidade em Rochas Ornamentais (RETEQ-ROCHAS), implantada
em outubro de 1999. Assim sendo, mereceu destaque, naquela
oportunidade, a atuação do Centro de Tecnologia
Mineral – CETEM, órgão do Ministério
da Ciência e Tecnologia, situada na cidade do Rio de
Janeiro e que já vinha desenvolvendo, naquele Estado,
como também no Ceará, Goiás, Bahia e
Espírito Santo, parcerias com outras instituições,
implementando ações direcionadas, como:
- Estudo de aproveitamento dos rejeitos de pedreiras e serrarias
da Região de Santo Antônio de Pádua no
Estado do Rio de Janeiro;
- Organização de simpósio e curso de
especialização em Rochas Ornamentais;
- Diagnóstico do setor de rochas ornamentais no Brasil;
- Catálogo de rochas ornamentais do Estado do Ceará
e Bahia;
- Catálogo Nacional de Rochas Ornamentais;
- Criação da pedreira Escola no Estado da Bahia,
entre tantas outras ações.
FONTE:
Carvalho, E. G. O Setor de Rochas Ornamentais do Ceará:
Reflexões e Desafios. UNIFOR. Fortaleza, 2003.
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